O que faz um conteúdo educacional ser bom?

Quando pensamos em textos educacionais para o público adulto, principalmente o público adulto, temos que levar em conta que eles (e nós) são pessoas autodirigidas. Elas não são bebês que precisam do passo a passo. Elas querem estar preparadas para fazer algo com aquele conteúdo (salvo algumas exceções específicas). 

Por isso, eles são menos tolerantes com conteúdo de preenchimento, linguagem confusa e quando não tem uma aplicação prática. Enquanto um adolescente estudando para o Enem vai ler, reler e se perguntar o que tem de errado com ele por não entender o texto, o adulto vai criticar o autor e pular de parágrafo.

Esse tipo de abordagem é o que vai diferenciar no final do dia um conteúdo educacional de um post de blog feito por um profissional de marketing.

Por isso, existem três princípios que os nossos conteúdos devem preencher.

  1. Eles fornecem uma instrução. Ou seja, é claro qual é o aprendizado daquele conteúdo. 
  2. São contextualizados. Adultos gostam de exemplos, aplicações e até um pouco da teoria (respeitando o princípio 1).
  3. Ajudam a heutagogia. Essa é a aprendizagem autodirigida. O público adulto gosta de aplicar o conteúdo por conta própria. Frameworks, links, indicações, livros, etc.

Conteúdos educacionais têm que instrumentalizar.

Entender o que é instrumentalização é o primeiro passo para mudar o conteúdo “normal” para educacional. Depois, só temos que ajustá-lo ao nosso público e torná-lo rico.

No final do dia, as pessoas vão consumir seu conteúdo para suprir uma necessidade delas. Diferentemente do ensino médio ou uma universidade, nos quais os estudantes são forçados a seguir por uma trilha, em conteúdos educacionais, eles optam por aquilo.

Por isso, não é só importante o conteúdo do texto, mas também a forma que ele é apresentado. Isso será muito mais relevante quando você entrar no tópico de promoção de cursos, principalmente focado em designers instrucionais.

Instrumentalização é escrever um conteúdo que forneça instrução, ou seja, o que a pessoa deve fazer.

Você pode, sim, escrever um conteúdo que conte a história da origem ou que tenha um arsenal teórico grande no meio, mas deixe isso claro. Dê a opção para a pessoa pular aquele conteúdo. Isso pode ser feito com a formatação. Ensinamos mais sobre isso em nosso curso Produção de Conteúdo Educacional.

Conteúdo educacional tem contexto.

Agora que você já sabe o que faz um conteúdo educacional mesmo, precisamos torná-lo rico, ou seja, bem ilustrado.

Adultos adoram exemplos, associações. Isso é uma arma poderosíssima para utilizarmos com nosso público, porque diferentemente de crianças e adolescentes, adultos têm muitas vivências e podemos aproveitar-nos disso. Não só isso, mas alunos adultos estão o tempo todo confrontando o que nós dizemos com o que eles vivenciaram.

Você não é capaz de lembrar em treinamentos que já participou no passado nos quais duvidou do que o palestrantes estava falando, por ter vivido coisas diferentes (e até mesmo opostas)? Isso acontece porque, mesmo que o instrutor tenha muita experiência e estudo, o exemplo (ou aplicação) que ele deu não coincidiu com sua experiência.

Ainda que adultos não gostem de muita enrolação, é importante dar contexto. E o contexto vem em duas formas:

  • A teoria por trás: de onde surgiu isso, quem tá dizendo isso? Muitas vezes, vem em forma da figura autoridade (eu tenho cargo X, portanto sei do que estou falando) ou de como aquilo surgiu mesmo, sua história (eu enfrentava X, aí tive que chegar a conclusão Y).
  • Exemplos. Nós adoramos praticidade e aplicabilidade. Não é à toa que livros técnicos que abordam um contexto tendem a ser recheados de exemplos – com a intenção de te ajudar a colocar aquele framework, ferramenta ou matriz em prática, o autor (ou autora) dá uma série de contextos diferentes. O framework aplicado em serviços. O framework aplicado em produtos. O framework aplicado em startups. E por aí vai.

O objetivo de dar contexto é aumentar o grau de heutagogia (próximo assunto), unindo com a instrumentalidade do conteúdo. Ou seja, fornecer instrução auto-aplicável.

Um conteúdo educacional ajuda a heutagogia do aluno.

Um dos maiores perigos de você estudar apenas sobre pedagogia – e de onde a maioria dos treinamentos vêm – é que o ensino tende a ser centrado na figura do professor. Ele é quem deve ensinar todo o conteúdo. Isso é muito aplicável para o ensino infantil, no qual temos crianças que precisam ser guiadas.

Pensar sobre heutagogia do conteúdo vai te ajudar a criar conteúdos que os alunos possam ressignificar por conta própria e utilizar no dia a dia – isso também evita ter que elaborar tantos exemplos e modelos para cada caso. Você criará um modelo “geral” que possa ser interpretado.

Adultos, no mercado de trabalho principalmente, encontram barreiras e querem resolver de forma prática. Para isso, eles recorrem a conteúdos mais diretos.

Para a grande maioria, frameworks e modelos nos quais eles possam aplicar em diversas situações são muito úteis. Por isso que vemos tantos casos de canvases (proposta de valor, business canvas e afins) e aquele SPIN selling, BANT e por aí vai. Todos esses são ferramentas e frameworks que explicam um conceito e podem ser aplicados às mais diversas situações.

Para isso, você tem que se basear em quatro princípios, os 4As da Heutagogia.

  • Abrangência: o conteúdo pode ser aplicado em cenários conhecidos e desconhecidos. Ou seja, ele não é super-específico. Com o seu conteúdo, o aluno pode aprender os princípios básicos e lembrá-lo quando uma nova situação aparecer (em oposição a modelos que só podem ser aplicados para cenários do momento).
  • Autorreflexão: o conteúdo promove uma reflexão sobre o assunto. O oposto disso seria um conteúdo que só tem um jeito de fazer, como martelar um prego. Isto é uma instrução: você pega o martelo numa posição específica e aplica força contra o prego. O estudante não pensa somente no(s) exemplo(s) em questão, mas ele reflete sobre o que está aprendendo (metacognição).
  • Atitudinal: para que funcione, o conteúdo deve estimular que o aluno reflita sobre o seu próprio comportamento, além do seu conhecimento. Ou seja, o aluno aprenderá um conteúdo técnico, mas também aprenderá de forma holística, alterando seu comportamento e atitude perante certas coisas.
  • Autonomia: Por fim, um dos princípios centrais da heutagogia é que ela não é forçosamente linear. O estudante pode abordá-la de diversos ângulos. Um exemplo rápido é este curso que você está fazendo. Ele começou com alguns conceitos simples para nivelar o conhecimento, mas você pode fazê-lo em qualquer ordem, e explorar o que te chama mais a atenção.

Para criar um conteúdo que facilite a heutagogia, é importante entender, claro, de design instrucional para criar modelos que possam ser aplicados em diversos contextos.

Existem perguntas específicas por meio das quais você pode validar se os 4As da Heutagogia foram aplicados, mas a premissa básica central é de criar conteúdos que o leitor consiga “se servir”.

(se você notar bem, inclusive os próprios 4As seguem seus princípios).

A heutagogia coloca o aluno como diretor de seu próprio aprendizado, portanto, o conteúdo educacional deve estar preparado para alunos autônomos e com vontades próprias – em oposição a um conteúdo linear, fornecendo ferramentas para que ele estude. Assim, o papel do instrutor é de guiar o aluno e explicar como usar essas ferramentas de forma correta.

Gostou do assunto? Conheça mais nosso curso online de Produção de Conteúdo Educacional.

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