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Como fazer um planejamento de mídia para suas aulas

por | jun 26, 2021 | Dicas para professores | 0 Comentários

Nós, como professores, influenciadores educacionais e designers instrucionais sempre nos pegamos pensando: quais mídias usar para alavancar a aprendizagem de nossos alunos? Vamos aprender neste post sobre como fazer um planejamento de mídia para diversificar o formato de estudo e ensino de nossas aulas.

As ferramentas de comunicação são diversas e elas devem ser empregadas, falando de maneira genérica, para transmitir informação e facilitar a assimilação do conteúdo. Elas devem ser usadas para assistir o professor a transmitir ao aluno fatos, habilidades, atitudes e conhecimento.

Contudo, você, como criador de conteúdo educacional, não deve sempre fazer uma salada de conteúdos e recursos, porque isso pode inclusive distrair seu aluno e tornar o aprendizado cansativo. E tampouco existe essa de uma mídia que funciona melhor.

Sim, tô olhando para essa pirâmide de retenção, que é uma mentira.

 

 Você deve usar estratégias combinadas para auxiliar o seu aluno a absorver melhor o conteúdo. De maneira genérica, as categorias de formatos estão textos, mídias visuais, áudio e audiovisuais. Essencialmente, você terá que usar diferentes mídias para diferentes tipos de aprendizado.

Vamos aprender aqui por que fazerum planejamento de mídia, quais são os diferentes recursos midiáticos e como eles podem ser empregados (e em quais situações) nos seus conteúdos educacionais.

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Por que diversificar os recursos audiovisuais dos seus conteúdos?

Enquanto textos tendem a ter uma absorção lenta, podem ser muito úteis para apreender o básico de uma área. Já imagens e vídeos têm um impacto mais profundo no estudante e explicam conceitos que tenham relações e hierarquias com outras áreas.

Essas percepções do aluno são importantes para seu processo. O conteúdo ser engajador é importante para empolgá-lo com o processo de aprendizado. Um livro de 1000 páginas pode ensinar, sim, tudo que ele precisa sobre uma área específica – mas temos que levar em conta a facilidade e o desgaste que ele pode sofrer no processo.

Você pode usar diferentes recursos em quaisquer modelos de ensino: presencial, online ou híbrido. Apoie-se na tecnologia para melhorar o seu ensino e aumentar a retenção dos seus alunos. Existem soluções incrivelmente simples, mas igualmente poderosas.

Recursos de mídia complementam o conhecimento e didática do professor ao oferecer ao aluno maneiras diferentes de entender e interagir com o conteúdo. Você pode inclusive fazer com que o próprio aluno gere conteúdo, como em fóruns, redes sociais e trabalhos em grupo.

Uma consideração:

Enquanto usar uma diversidade de recursos visuais pode ter algumas preocupações, uma questão que você sempre deve levar em conta é: não diversificar por diversificar. Mais não é melhor, definitivamente.

Tente se organizar e fazer com intenção e propósito. Não faça um infográfico porque a ferramenta é de graça e é bonita, se não tem nenhuma hierarquia ou relações, só por querer inserir ícones. Ou elementos clicáveis na sua página só porque é “interativo”. Faça as coisas com intenção.

Entendendo os eventos de instrução:

Para compreender melhor sobre planejamento de mídia, temos que entender o porquê nossos alunos precisam delas. Para isso, podemos consultar os eventos de instrução.

Uma das teorias mais conhecidas são os eventos de instrução de Gagné. Ela funciona como uma ordem de uma aula, com o intuito de chamar a atenção do aprendiz até a avaliação do conhecimento. Nem todas as aulas precisam marcar todas as checkboxes, mas via de regra, você acabará seguindo uma ordem.

Os eventos de instrução são:

01

Obter atenção (recepção)

02

Informar o objetivo para os aprendizes (expectativa)

03

Estimular a lembrança do aprendizado anterior (recuperação)

04

Apresentar o estímulo (percepção seletiva)

05

Fornecer orientação de aprendizado (código semântico)

06

Elicitar performance (resposta)

07

Fornecer feedback (reforço)

08

Avaliar o desempenho (recuperação)

09

Aumentar a retenção e a transferência (generalização).

Robert Gagné não coloca esses eventos como uma ordem absoluta. Estudantes adultos podem inclusive eles mesmos fornecerem alguns dos eventos, ficando como responsabilidade do professor fornecer os materiais e fazer a avaliação, por exemplo. 

Um exemplo de aula seguindo os eventos é:

Tabela 01:

Tabela de eventos Robert Gagné com exemplos

Tipos de objetivos de aprendizagem e forma de estimulá-lo.

Dentro da teoria de aprendizado, existem alguns verbos associados e diferentes aprendizados e necessidades dos alunos. Vamos entrar nesse tópico mais futuramente.

Importante saber que existem 10 palavras-chave associadas com aprendizados e, para cada uma delas, existe uma forma pelo menos para guiar o estudante ao aprendizado do conceito.

Tabela 02:

Aqui, tem uma teoria bem robusta, mas essencialmente, para cada tipo de conteúdo que você se propõe a ensinar, você pode facilitar o aprendizado de uma forma.

De uma forma geral, do número 1 ao 8 representa uma ordem de aprendizado. Já os pontos 9 e 10 foram colocados porque eles exigem formas mais específicas de lembrança.

Para cada tipo de conteúdo educacional que você cria, você vai recorrer a um dos objetivos de aprendizado. Numa aula de história, a grosso modo, você terá muitos mais fatos e nomes, por exemplo. Numa aula de vendas, pode ser aplicado mais conceitos, estratégias, e resoluções de problemas.

Criando um planejamento de mídia:

Em seguida, quando for elaborar sua aula, você deverá ter uma tabela similar a esta:

Tabela 03:

Exemplos de objetivos com mídias associadas

Dentro da coluna A, você listará cada um dos eventos de instrução que você pretende usar em sua aula. Lembrando que cada aula terá seus próprios eventos. Uma aula pode ser caracterizada como um módulo, um dia de ensino ou uma sequência de vídeos curtos. Você vai determinar isso. Pense num conteúdo que tenha começo, meio e fim. 

Na coluna C, você irá descrever um pouco da atividade e como será desenvolvida, como eu fiz com a Tabela 01. Em seguida, você deverá fazer um planejamento inicial de quais mídias podem suportar esse aprendizado.

Não existe, contudo, uma teoria que corrobora qual mídia é melhor para qual objetivo. Existem algumas generalizações, mas vai de acordo com a preferência do instrutor e conhecimento do seu público-alvo, em última instância. 

Como aplicar cada mídia no seu planejamento:

Existe uma publicação bem famosa de Richard Mayer que delineia 12 princípios para o uso de multimídia no ensino. Você pode ler o material original aqui. São linhas-gerais do que funciona e do que tende a não funcionar na hora de usar mídias nas aulas.

Clique aqui para expandir e ver os princípios
  • Princípio da Coerência: Pessoas tendem a aprendem melhor quando palavras, imagens e sons estranhos são excluídos em vez de incluídos.
  • Princípio da Sinalização: Pessoas aprendem melhor quando há sinalizações que ressaltam a organização dos materiais essenciais.
  • Princípio da Redundância: Pessoas aprendem melhor por meio de gráficos e narração do que gráficos, narração e texto na tela.
  • Princípio da Contiguidade Espacial: Pessoas aprendem melhor quando as palavras e imagens correspondentes são apresentadas próximas, e não distantes, uma da outra na página ou tela.
  • Princípio da Contiguidade Temporal: Pessoas aprendem melhor quando as palavras e imagens correspondentes são apresentadas simultaneamente, em vez de sucessivamente.
  • Princípio de Segmentação: Pessoas aprendem melhor com uma lição multimídia apresentada em partes no ritmo do usuário, e não como uma unidade contínua.
  • Princípio do Pré-treinamento: Pessoas aprendem melhor em uma aula multimídia quando conhecem os nomes e as características dos conceitos principais.
  • Princípio da Modalidade: Pessoas aprendem melhor com gráficos e narrações do que com animação e texto na tela.
  • Princípio da Multimídia: Pessoas aprendem melhor com palavras e imagens do que apenas com palavras.
  • Princípio da Personalização: Pessoas aprendem melhor com as lições de multimídia quando as palavras são em estilo coloquial, em vez de formal.
  • Princípio da Voz: Pessoas aprendem melhor quando a narração em aulas multimídia é falada em uma voz humana amigável em vez de uma voz de máquina.
  • Princípio da Imagem: Pessoas não necessariamente aprendem melhor com uma aula de multimídia quando a imagem do professor é adicionada à tela.

Algumas ideias de mídia que você pode usar:

Com base nisso, você deverá selecionar quando e quais mídias adicionará ao seu conteúdo. Aqui vão algumas ideias do que você pode promover.

Tabela 04:

Exemplos de objetivos com mídias associadas

Vale ressaltar que esse é um guia com base em nossa experiência.

Como fazer um planejamento de mídia para suas aulas.

Planejar uma aula não é uma tarefa fácil.

A parte do conteúdo pode não ser um desafio para muitos especialistas no assunto, o desafio mesmo está em construir uma aula didática que apele para os diferentes sentidos dos seus estudantes, a fim que eles tenham uma reação emocional e afetiva em frente ao conteúdo.

Sua função enquanto influenciador educacional será de reforçar esses aprendizados com um planejamento adequado de cada aula, principalmente evidenciando o conteúdo mais importante, reforçando ele em seguida e ocultando ou dessaturando os conteúdos irrelevantes.

Estúdio de design instrucional, focado em consultoria de professores e customer education.

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